domingo, 27 de maio de 2018

Poema: Ressurgir em si mesmo

27.5.18 0 Comments



Transforme a sua dor em música e cante! Se faça ouvir além das sombras, ressoe, ecoe, invada os corações. Surja de trás de uma montanha, escale-a até o seu topo, finque a sua bandeira. Levante a cabeça, erga o olhar, fixe no horizonte, ande em linha reta. Alinhe os ombros, serre as mãos, sinta a confiança correr em suas veias, sinta que você é capaz! Emerja a sua alma de entre os túmulos do desanimo, da desistência, da desesperança. Mexa-se como um corcel indomável com seu espirito inquieto capaz de transpor barreiras impostas pela vida. Tenha honra, dignidade, caráter, não se venda, não se entregue, não diminua o queixo, não se deixe algemar. Meu filho, você é um ser livre e suas escolhas podem torná-lo quem és ou quem desejas ser. Suas escolhas são a sua força, o seu ar. Respire-o fundo e não olhes atrás, pois erros e acertos do passado não farão muita diferença no agora, se assim o quiser. Já se passou e o tempo os levou muito além da vida e quanto aos farelos que sobrou o vento os soprou e assim se finda.





D.L.L
By Danielle Rodriogues

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Poesia: O Ser Sol

7.5.18 0 Comments

POESIA: O SER SOL

Seu despertar acolhedor 
distrai todo o mau humor.

Acaricia com um sorriso
aquele que vem vindo.

Eleva os olhares caídos
tornando-os destemidos.

Encoraja os a quem confia
para juntos enfrentar a vida.

Não como quem precisa correr
de medo se esconder,

Mas como aquele que mesmo não sendo de tudo conhecedor
desbrava o desconhecido e desafia-se a ser vencedor.

No final do seu dia
coleciona em sua alegria

Os raios vividos por outros
sorrisos feitos com gosto.

E essa sensação de gratidão
lhe enche todo o coração.




By Danielle Rodrigues

terça-feira, 17 de abril de 2018

Conto: Um momento para Marília

17.4.18 0 Comments



Os anos se passaram e Marília quase não os viu ir ou vir, não sei. Em uma manhã ensolarada a moça acorda animada, suas férias começam hoje. Sim, parece que se passaram anos desde suas últimas férias, o descanso não lhe é algo aproveitado. Marília é aquele tipo de mulher rápida, inteligente, antenada, ligada no café de extremo produtiva. Mas por alguma razão, naquela manhã ela não era Marília a mulher de todos os dias, ela era uma mulher diferente.

Levanta-se devagar a esfregar os olhos, sente-se cansada com o peso de algo nas costas. Um peso enorme. O peso da solidão. A solidão a sua volta é palpável, penetrante, ardida. Naquela manhã Marília se deu conta do que a muito não via, sua solidão era insuportável. Diante do espelho ela se olhava admirada, quanto tempo se passara? Trinta anos, puxa uma vida inteira! Aqueles detalhes não estavam lá. Os olhos dela percorriam o rosto em busca da jovem de anos atrás. Aquelas linhas próximas a sua janela da alma, não, são novas. Como surgiram? Era sua expressão. Como surgiram? Quando surgiram? Não sei dizer.

Ah o tempo, seu mentiroso. Passa tão rápido que não o vemos passar. A mulher agora examina novos sinais próximo ao buço, hum... Aquele tal bigode chinês. O tempo a mudara, o tempo realmente a enganara. Eternidade era o que a fazia correr sem olhar para os lados. Eternidade... Que maldade! A eternidade não é uma realidade, se deu conta. E o que eu fiz? Pensava Marília. Quem eu amei? Lamentava Marília. Não eram apenas os sinais em sua pele que evidenciavam o passar do tempo, dentro de si a mulher, agora nova, fazia perguntas as quais eram profundas e nunca havia tido tempo para questionar.

Por que hoje? Por que agora? Marília caminha de camisola até a janela do seu quarto e do alto com olhos semicerrados observa o sol, abraça o próprio corpo em consolo. Ontem foi meu aniversário.





By Danielle Rodrigues

Poema: De conto em conto

17.4.18 0 Comments

Quer viver um romance, 

mas pula de conto em conto... 

Não passa de uma prosa. 

No fim sobram apenas versos soltos, 

talvez uma poesia curta 

ou quem sabe uma frase oculta.




By Danielle Rodrigues

segunda-feira, 12 de março de 2018

Poesia: Oh meu beija-flor

12.3.18 0 Comments

Oh beija-flor, que vive de flor em flor
No seu coração arde o desejo de um único amor

Mas tem medo, tem pavor
De ser preso pela gaiola do amor

Sabes tu que nela serias guardado
Dentro dela, das tuas feriadas seria curado

Bem sabes oh beija-flor
Que voar sem parada
Acaba com teu humor
Pois apenas te desgasta

Tens medo da solidão
Mas não dás chances a união
Voas em vão, na escuridão
Sem morada, sem perdão
Até que sua última pena caia ao chão

Bate as asas sem pensar
Beija todas as flores a encontrar
Mas em nenhuma encontra seu lar
Pois o medo não o deixa tentar
E por ele estás fadado a falhar
Beijar por beijar, abraçar por abraçar

É uma perca de tempo,
Forças ao vento

O amor que desejas beija-flor
Não encontrarás arrasando os campos
Este sentimento é um primor
Reservado apenas aos santos

Para conquista-lo
Terás de cultiva-lo
Em um único canteiro
Que seja teu por inteiro

É lá onde poderás descansar
E seu coração acalmar

Poderás sentir enfim e assim

A força de um beijo
Movido por amor verdadeiro
Acalentar os seus anseios
Lhe acolhendo aos seios

Perca o medo de viver
E se dê a chance de conhecer
Muito além do que seus olhos podem ver
E verás que não tem porque temer

Algo tão lindo
Tão forte
Capaz de se opor a morte

Terás para onde regressar
Que escolhestes para morar

A sombra e aconchego
Do seu único canteiro

Cheio de carinho
Não estarás sozinho

E serás feliz como os colibris
Pois é o que és meu querido aprendiz

Se ainda assim não voltares para mim
Saberei que encontrastes o teu fim.

By Danielle Rodrigues
24.02.2018